quarta-feira, 16 de julho de 2014

O dia em que eu vou ficar morena

     É bem difícil definir o que é ser morena porque pra mim tudo abaixo de um tom 7 tá no moreno. O que é mentira de acordo com a tabelinha de cores, que me diz que o 6 é um louro escuro. Eu definiria a cor natural do meu cabelo como um 6.1, e sempre me considerei morena. Acho que pra grande maioria da população funciona assim: abaixo da Fernanda Lima, todo mundo é moreno.
     Mas por que?
     Porque eu comecei a pintar o cabelo com 14 anos, 11 anos atrás. A loirice sempre me perseguiu e, tirando uns 3 meses que passei morena porque não aguentava mais pagar o preço das luzes (mas voltei né), eu fiquei loira e muito feliz esse tempo todo. Era tão viciada na loirice que, por conta dela, tive meu corte químico sobre o qual até já falei (muito) aqui no blog.
     E me lembro de, uns 2 meses antes de ir pro ruivo, ver uma menina muito platinada no ônibus e falar pro mor que era aquele cabelo que eu queria. O problema é que uma descoloração global ia me dar outro corte químico (no, thanks) e mais luzes nenhum cabeleireiro estava acertando fazer pra ficar aquele loirão. Percebendo que eu não ia conseguir platinar eu fiquei chateada com o loiro e misturou com a vontade de mudar que eu estava. Óbvio, como todo gostar verdadeiro, estar chateada não me fez deixar o sentimento de lado, só decidi que o ruivo (algo de que sempre gostei) seria a direção da minha mudança.
     Encurtando a história, um mês depois de pintar e conseguir um vermelho meio fantasia, decidimos marcar casamento. Depois disso minha vida capilar virou um inferno porque nada me satisfazia (isso faz 2 meses). Como mor mesmo disse, eu não fiquei mais que uma semana ininterrupta feliz com meu cabelo. Ou era o desbotamento, ou a cor errada, ou a tinta que não deu certo, etc. Acreditando que essa infelicidade era fruto só do não-acerto com a cor, pesquisando, achei que a henna seria a melhor solução porque a cor que ela deixa é a mais intensa e acobreada de verdade, sem ser loira nem vermelha. Fui.
     E daí que a henna não sai?
     Não sai. Se eu pudesse voltar no tempo até sexta... mas não posso. Se eu pudesse eu jogava um dekap color e resolvia toda a minha vida, mas acho também que se eu não tivesse visto essa cor da henna no meu cabelo eu não teria chegado à conclusão a que cheguei, ou seja. Tamos aí.
     Então a solução é, a exatamente um mês do meu casamento, ficar castanha.
     Não vou fazer em casa porque perdi a verve. Vou fazer no salão terça feira que vem. Vou tentar fazer uns soap caps até lá pra tentar abrir o máximo, já que ela disse que do jeito que está ela vai jogar um 5.1 (castanho claro acinzentado, pra neutralizar o laranja) pra abrir pra um 6 no desbotamento. Pensa. Castanho. Até a palavra é feia.
     O que me chateia: quando as pessoas julgam a merda que eu fiz, já que eu tava loira três meses atrás. Quando todo mundo acha que eu tava mais bonita loira e ninguém tem coragem de falar, a não ser mor. Quando eu percebo que todas essas pessoas têm razão e a culpa é minha mesmo. Quando eu percebo que eu não estaria valorizando o loiro se eu não tivesse feito isso que fiz.
     Meu cabelo tá feio? Não! Causaria muita inveja nas meninas que sonham com um ruivo bonito. Tá uniforme, tá cobre, tá bonito mesmo. Mas não me encontrei no espelho.
     Aí o plano da cabeleireira é jogar esse tal de 5.1 pra ir desbotando, depois, daqui a um mês, aplicá-lo mais uma vez e fazer algumas mechas, já perto do casamento só pra dar uma iluminada. O que eu vou fazer: tentar devagarinho clarear o tom em casa pra ela não ter de jogar um 5.1, mas talvez um 6.1 (ou 7.1, dedos cruzados). Vou fazendo os clareamentos com ox 30, descolorante e shampoo 1:1:1 só por 10 minutos de cada vez, testando as pontinhas pra ver se não vai cair tudo.
     To chateada porque, né, cabelo. É foda.
     Mas melhor morena que careca, ne?